22/01/09
Construção aguarda retomada do emprego

construção civil paulista tem a expectativa de uma recuperação do nível de emprego no primeiro trimestre e espera que medidas como redução dos juros, estímulo ao crédito, pacote habitacional e investimentos do PAC contribuam para manter o crescimento da economia e do setor em 2009. Se mais adiante houver necessidade de lançar mão de instrumentos para evitar demissões, tais como redução de jornada ou suspensão temporária do contrato de trabalho, isso será discutido caso a caso e efetuado dentro do que determina a lei.
Este foi o consenso a que chegaram os presidentes do SindusCon-SP, Sergio Watanabe; do Sintracon, Antonio Ramalho; da Feticom, Emilio Alves Ferreira Jr., e da Conticom, Waldemar Pires de Oliveira, em reunião realizada em 20 de janeiro no SindusCon-SP.
A reunião também contou com a participação do vice-presidente de Relações Capital-Trabalho, Haruo Ishikawa. Ele destacou que, mesmo com a diminuição de 105 mil postos de trabalho nos últimos dois meses de 2008, a construção ainda fechou o ano passado com a contratação de 198 mil trabalhadores (cerca de 12,6% a mais que o saldo existente no fim de 2007), requerendo um grande esforço em qualificação e segurança do trabalho.
Informalidade - O vice-presidente de Tecnologia e Qualidade, Mauricio Bianchi, e o coordenador do Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ), Paulo Sanchez, propuseram que o setor concentre esforços no combate à informalidade. Sanchez alertou que, se o prazo de pagamento do seguro-desemprego aumentar de cinco para dez meses, isso poderá ocasionar demissões de trabalhadores formais que vão preferir receber o seguro-desemprego e trabalhar na informalidade.
“Em vez de os sindicatos dos trabalhadores pararem obras das construtoras formais, deveriam parar as obras executadas com mão de obra informal”, sugeriu Sanchez.
Do encontro, também participaram os conselheiros Alexandre Luis de Oliveira, que alertou para a dificuldade geração de novos empregos formais; Fábio Villas Boas, que reclamou das restrições feitas por instituições financeiras para a concessão de crédito à produção; e Fábio Ribeiro da Silva Filho, que chamou a atenção para a importância da adoção de medidas para estimular as famílias e os investidores a adquirirem imóveis.
A reunião ainda contou com a participação dos membros do Núcleo de Negociação do SindusCon-SP Roberto José Falcão Bauer e Marcio Escatêna; do coordenador-geral Richard Ouang e do assessor jurídico Renato Romano.
Tiro no pé – Para Ramalho, do Sintracon, a redução da jornada com diminuição de salário é complicada de se adotar na construção civil. Ele lembrou que medidas como a suspensão temporária do contrato de trabalho nasceram de uma iniciativa conjunta do SindusCon-SP e do Sintracon. Para ele, o setor agora deve lutar pela queda dos juros e por mais qualificação. “Seguro-desemprego sem qualificação é tiro no pé, porque só vai alimentar a informalidade no macrossetor, que está em 71% da mão de obra”, afirmou.
Alves, da Feticon, considerou o problema do emprego na construção menos preocupante que em outros setores e sugeriu que questões como redução de jornada e suspensão de contratos sejam tratadas dentro do setor, enquanto problemas como diminuição dos juros e encargos continuem sendo negociados no âmbito das centrais e da Fiesp. Ele sugeriu a formação de uma comissão de empresários e trabalhadores para montar um projeto de combate à informalidade.
Waldemar, da Conticom, manifestou-se contrário ao setor entrar na discussão de redução da jornada ou suspensão dos contratos. “Temos que atuar pelo lado positivo sob pena de reforçar os oportunistas de plantão; o governo tem recursos para investir e os economistas mais conservadores apostam que o país vai crescer 2%.”
Ele elogiou o CTQ por posicionar-se contra a informalidade e responsabilizou a terceirização pela falta de qualificação dos trabalhadores.
Fonte: Construmail 1505